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Leandro Sobrinho diz por que investidores brasileiros avançam no mercado imobiliário EUA

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Com juros elevados e inflação ainda acima da meta, investidores ampliam presença internacional e impulsionam compras em regiões como a Flórida

Com inflação em torno de 2,7% e juros entre 3,50% e 3,75% em 2025, segundo o Federal Reserve, o mercado americano segue como um dos principais destinos para diversificação patrimonial global. Mesmo com política monetária ainda restritiva e inflação acima da meta, a economia dos Estados Unidos mantém crescimento projetado próximo de 1,9%, sustentando a confiança internacional. Nesse contexto, investidores brasileiros movimentaram cerca de US$ 1,6 bilhão em aquisições de imóveis residenciais no país no ciclo mais recente disponível, segundo a National Association of Realtors, consolidando o Brasil entre os dez maiores compradores estrangeiros.

Leandro Sobrinho, cofundador da Davila Finance, avalia que o cenário exige mais estratégia do que retração. “O ambiente de juros elevados não reduz a atratividade do mercado americano. Ele exige mais preparo e decisões estruturadas, com foco na preservação e geração de valor no longo prazo”, afirma.

A Flórida concentra boa parte desse movimento. O estado responde por cerca de 23% das compras internacionais nos Estados Unidos e, entre 2024 e 2025, estrangeiros participaram de aproximadamente 21% das transações residenciais locais, de acordo com a Florida Realtors. Regiões como Orlando, Miami e Tampa seguem no radar de investidores, com valorização média entre 6% e 9% no acumulado recente, segundo a National Association of Realtors.

Embora não exista um dado oficial sobre o número exato de imóveis adquiridos por brasileiros, estimativas de mercado indicam que, com base no volume financeiro e no ticket médio das transações, o fluxo pode representar entre 3 mil e 4,5 mil propriedades adquiridas por ano nos Estados Unidos. O movimento reforça a mudança de comportamento de investidores de alta renda, que passam a estruturar patrimônio com maior exposição internacional.

Thiago Davila, empreendedor com mais de 20 anos de atuação no setor imobiliário, destaca que a atratividade do mercado americano está ligada à combinação de fatores estruturais. “Os Estados Unidos oferecem previsibilidade jurídica, estabilidade econômica e um ambiente pró-negócios. A Flórida, em especial, se beneficia desse contexto e concentra oportunidades relevantes para investidores que buscam proteção e geração de renda em moeda forte”, afirma.

O avanço desse fluxo tem efeitos diretos na economia. Nos Estados Unidos, o aumento da demanda fortalece o setor imobiliário, estimula a construção civil e amplia a geração de empregos. Já no Brasil, a diversificação internacional reduz a concentração de capital em ativos domésticos e eleva o nível de sofisticação do investidor, que passa a operar com uma lógica mais global.

Apesar dos benefícios, especialistas alertam para os cuidados necessários. A exposição ao dólar pode proteger contra a desvalorização do real, mas também traz volatilidade no curto prazo. Além disso, fatores como tributação internacional, custos operacionais e gestão do imóvel devem ser considerados na estratégia.

“O erro mais comum é investir fora sem planejamento. Não basta acessar o mercado internacional, é preciso entender o ciclo econômico, os custos envolvidos e o papel daquele ativo dentro da estratégia patrimonial”, afirma o executivo.

Thiago Davila
Thiago Davila destaca que previsibilidade jurídica e renda em dólar mantêm a atratividade dos EUA para investidores brasileiros

Na avaliação de Davila, o cenário atual favorece investidores preparados para o longo prazo. “Mesmo com juros elevados e oscilações no ambiente econômico, o mercado imobiliário americano continua resiliente. O diferencial está em selecionar bem os ativos e estruturar o investimento de forma consistente”, diz.

Com a persistência de tensões geopolíticas e ajustes nas políticas monetárias globais, a tendência é que a internacionalização do patrimônio siga avançando. A busca por estabilidade, renda em moeda forte e preservação de valor deve continuar impulsionando o mercado imobiliário americano como destino prioritário para investidores brasileiros.

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