A impressão 3D vem deixando de ser uma tecnologia restrita a especialistas e entusiastas para conquistar espaço entre empreendedores, empresas e consumidores brasileiros. A combinação entre máquinas mais acessíveis, softwares simplificados, maior oferta de materiais e facilidade para encontrar modelos digitais tem reduzido as barreiras de entrada e impulsionado o crescimento do setor.
Esse movimento pôde ser observado durante a FuturePrint 2026, que reuniu empresas, profissionais e interessados em tecnologias de impressão e fabricação digital. Os estandes dedicados às impressoras 3D, filamentos e demais insumos registraram fluxo constante de visitantes em busca de informações sobre equipamentos, materiais e possibilidades de utilização da tecnologia.
Segundo dados do Grupo IMARC, o mercado brasileiro de impressão 3D movimentou US$ 730 milhões em 2025. A projeção é de que o segmento alcance US$ 3,03 bilhões até 2034, com uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) de 17,20% entre 2026 e 2034.
Entre os fatores relacionados à expansão estão a demanda por prototipagem rápida na indústria automotiva, aplicações na área da saúde, desenvolvimento de impressoras mais acessíveis, utilização na construção civil e iniciativas de fabricação local, que podem contribuir para reduzir a dependência de cadeias globais de fornecimento.
Makers e hobistas ajudam a impulsionar o mercado
Além das aplicações industriais e profissionais, a impressão 3D também vem conquistando espaço entre os chamados makers e hobistas. Para esse público, a tecnologia pode representar tanto uma atividade de lazer quanto uma porta de entrada para o empreendedorismo.
Leandro Fagundes, diretor comercial e de marketing da Multfila, empresa brasileira que atua no ecossistema de impressão 3D, destaca a mudança no perfil de parte dos consumidores.
“O mercado dos entusiastas cresce muito. Muitas pessoas começam se divertindo e, a partir disso, descobrem produtos que podem escalar e transformar em negócios. É uma forma de empreendedorismo que surge da diversão”, comenta.

A Multfila participou pela primeira vez de uma feira durante a FuturePrint 2026. Segundo Leandro, a participação marcou também a estreia da empresa nesse tipo de evento.
“É a nossa primeira vez, não só nessa feira, mas em feiras no geral. Estamos estreando com o pé direito e muito satisfeitos”, afirma.
De acordo com o executivo, entre os objetivos da participação estavam o fortalecimento da marca, a apresentação de novos produtos, a aproximação com parceiros e a expansão da rede de revendas.
“Queremos reforçar o trabalho de brand, o posicionamento da Multfila, lançar produtos e conectar com nossos parceiros, além de buscar novas revendas pelo Brasil”, explica.

Outro fator que contribuiu para ampliar o acesso à impressão 3D foi a popularização dos arquivos digitais utilizados para fabricar as peças.
“Antes, o mercado era muito nichado pela complexidade de acesso aos arquivos para imprimir. Hoje, com os portais e a tecnologia, é possível comprar uma impressora e começar a imprimir com arquivos prontos. Isso destravou o acesso e reduziu a barreira de entrada no segmento”, afirma Leandro.
Interior de São Paulo também acompanha expansão da impressão 3D
O crescimento do segmento não está concentrado apenas nos grandes centros. No interior paulista, empresas especializadas também começam a ampliar suas operações para atender ao aumento da demanda por impressoras, filamentos, acessórios e suporte técnico.
Em Campinas, a Veltrix vem ampliando sua atuação no mercado de impressão 3D. A empresa trabalha com a distribuição da Multfila e também se posiciona como uma operação multimarcas voltada ao atendimento de consumidores e profissionais da região metropolitana.

Em entrevista ao EgoBrazil, Matheus Bernardino, um dos proprietários da Veltrix, falou sobre os investimentos realizados pela empresa e os planos para ampliar a atuação ainda em 2026.
Segundo Matheus, a empresa avalia a expansão para outras cidades da região, além do crescimento do portfólio de marcas de filamentos, impressoras e insumos destinados ao universo da impressão 3D.
A estratégia também envolve um serviço que, segundo ele, é uma das principais necessidades identificadas entre os consumidores: o suporte técnico e o pós-venda.
“Hoje atendemos clientes que compram máquinas em outras lojas ou até mesmo pela internet e não têm um suporte adequado e, principalmente, um pós-venda à altura da marca”, afirma Matheus.
A partir dessa demanda, a Veltrix estruturou um setor próprio de suporte técnico e manutenção. O serviço, segundo a empresa, pode atender clientes independentemente do local onde a impressora foi adquirida.
A proposta amplia o papel das lojas especializadas no mercado de impressão 3D. Além da comercialização de equipamentos e materiais, empresas desse segmento passam a atuar também na orientação dos consumidores, manutenção, suporte e acompanhamento após a compra.
Para um mercado que ainda passa por um processo de popularização, a presença de empresas capazes de oferecer atendimento especializado pode contribuir para reduzir uma das principais dificuldades enfrentadas por novos usuários: entender como configurar, utilizar e manter corretamente os equipamentos.
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Um mercado que vai além da impressora
O avanço da impressão 3D mostra que o mercado não está limitado à venda de máquinas. Ao redor dos equipamentos existe uma cadeia formada por fabricantes, distribuidores, lojas, desenvolvedores de modelos, produtores de filamentos, técnicos, designers e empreendedores que utilizam as impressoras para fabricar seus próprios produtos.
Para o consumidor que começa com uma única máquina, o caminho também pode evoluir para diferentes possibilidades, desde a produção de peças personalizadas até a criação de uma operação comercial estruturada.
Com a queda gradual das barreiras de entrada e a evolução de tecnologias como inteligência artificial e automação, a impressão 3D amplia sua presença no cotidiano brasileiro e passa a ocupar um espaço cada vez maior entre ferramentas de empreendedorismo, personalização, prototipagem e fabricação sob demanda.
No interior paulista, o movimento também abre espaço para novos negócios especializados, como a Veltrix, que aposta na combinação entre venda de equipamentos, variedade de insumos e suporte técnico para acompanhar a expansão do setor na região.
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