Unidos do Peruche revive enredo histórico para o Carnaval 2027

A tradicional escola de samba Unidos do Peruche anunciou, neste domingo (24), o enredo que levará para a avenida no Carnaval de 2027. Em uma decisão marcada pelo resgate de sua própria trajetória, a agremiação apostará na reedição de um dos temas mais emblemáticos de sua história: “Filhos de Mãe Preta”, apresentado originalmente no desfile de 1988.

A nova versão do enredo será assinada pelo carnavalesco Mauro Xuxa, responsável por revisitar uma narrativa que marcou profundamente a identidade da escola e emocionou o público no passado. A proposta promete trazer uma releitura contemporânea, sem perder a essência da homenagem à ancestralidade e à resistência do povo negro.

Em 1988, o desfile idealizado por Raul Diniz ficou eternizado na memória dos apaixonados pelo samba. Na época, a apresentação na extinta Avenida Tiradentes conquistou a quinta colocação no Grupo Especial e ganhou ainda mais notoriedade pelas interpretações memoráveis de Jamelão e Eliana de Lima, vozes oficiais daquele Carnaval.

Agora, quase quatro décadas depois, a escola aposta na força simbólica do reencontro com suas origens para emocionar novamente o público. Em 2027, o intérprete oficial será Juninho Branco, que comandará o canto da comunidade perucheana durante o desfile.

A Unidos do Peruche será a terceira escola a desfilar pelo Grupo de Acesso 2, no sábado, 30 de janeiro, no Sambódromo do Anhembi, palco tradicional do Carnaval paulistano.

Em comunicado divulgado nas redes sociais, a escola reforçou o peso simbólico do retorno do enredo, destacando a conexão entre passado e presente:

“1988 foi grito. 2027 será memória, resistência e verdade na avenida.

O nosso chão Perucheano volta às raízes para contar a história de quem carregou nos braços, no peito e na alma a força de um povo inteiro.

‘Filhos de Mãe Preta’ é homenagem às mães pretas, à ancestralidade africana, à luta por liberdade e aos saberes que atravessaram gerações e ajudaram a construir a cultura, a fé e o Axé do nosso povo.

Mais que um enredo, um reencontro com a nossa história.”

Com a escolha, a escola busca não apenas reviver um desfile histórico, mas também reafirmar sua identidade cultural, exaltando a memória, a ancestralidade africana e a resistência de um povo que ajudou a construir a história do samba paulistano.

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