Com produção de Marcos Cuper, projeto aproxima rock, rap e música urbana em uma narrativa sobre raiva, desejo, amor e liberdade; álbum será lançado em duas partes e conta, na primeira etapa, com participações de Hiran, Scarlett Wolf, Bixarte e Trava da Fronteira
Depois de apresentar sua história e identidade artística em SIAMESE, primeiro álbum de estúdio lançado em 2024, Siamese inicia uma nova fase de sua trajetória com “ME SIA”, segundo álbum de sua carreira e projeto que apresenta ao público uma nova dimensão de sua personalidade artística.
No centro dessa transformação está SIA, seu alter ego mais indomável, visceral e provocador, criado para dar voz a sentimentos, desejos e pensamentos que não cabiam mais dentro das expectativas construídas em torno da artista.
“Sempre existiu em mim um lado mais indomável, imprevisível e visceral. Por muito tempo eu não quis olhar para essa parte de mim, até que ela tomou conta. Foi quando nasceu a SIA, meu alter ego. Ela não pede permissão para existir, ela simplesmente existe e toma conta de onde chega”, conta Siamese.
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Para a artista, a criação da personagem não representa uma ruptura com quem é, mas uma possibilidade de explorar novas formas de expressão.
“A SIA não surge para esconder a Siamese, mas para me dar uma licença poética para dizer coisas que ainda precisavam ser gritadas. Ela tem uma personalidade punk rock, é ácida, visceral e não tem medo do confronto”, explica.
Essa liberdade também aparece diretamente na construção das músicas. Compostas após o lançamento de SIAMESE, as faixas de “ME SIA” refletem um período diferente da vida e da carreira da artista, marcado pela decisão de não suavizar sua escrita para torná-la mais facilmente assimilável.
“Nesse novo trabalho, eu não queria me podar, nem polir minha escrita para ser mais facilmente aceita ou digerida. Eu queria falar o que precisava ser dito, de forma direta, sem massagem e sem filtro”, afirma Siamese.
O resultado é um álbum atravessado por sentimentos que nem sempre são fáceis de conciliar. Raiva, amor, desejo, decepção, força e liberdade coexistem em uma narrativa que não tenta organizar ou esconder suas contradições.
“‘ME SIA’ nasce de tudo aquilo que atravessou minha existência nesse período. É um álbum que não tenta esconder as contradições. Pelo contrário, eu queria que elas estivessem todas ali”, completa a artista.
Para ela, SIA funciona justamente como uma possibilidade de transformar experiências difíceis em criação sem a necessidade de torná-las mais palatáveis.
“A SIA me permitiu transformar sentimentos que muitas vezes são difíceis de elaborar em música, sem precisar suavizá-los para caber em algum lugar”.
Uma nova sonoridade
Musicalmente, o novo trabalho também representa uma expansão em relação ao primeiro álbum. Produzido por Marcos Cuper, “ME SIA” aproxima o rock de elementos do rap e da música urbana, criando uma sonoridade mais pesada e agressiva sem abandonar a dimensão narrativa presente no trabalho de Siamese.
“A sonoridade de ‘ME SIA’ é uma fusão de elementos do rock e do rap, linguagens que sempre estiveram presentes na minha construção artística. Trabalhar com o Cuper na produção musical foi fundamental para encontrar esse lugar mais orgânico e único do disco”, explica a artista.
A escolha por uma sonoridade mais pesada acompanha também a personalidade de SIA, que assume uma postura mais ácida, sensual e confrontadora.
“Eu queria que o disco tivesse peso, mas que esse peso não estivesse apenas na música. Ele precisava estar também nas palavras, na interpretação e na forma como essas músicas chegam. O rock traz essa sensação de explosão, enquanto o rap potencializa a narrativa. É uma mistura que representa muito do que eu sou artisticamente”, afirma Siamese.
A postura punk da personagem também dialoga diretamente com sua própria experiência.
“Ela tem uma personalidade punk rock, é ácida, visceral e não tem medo do confronto. É quase como transformar aquilo que ficou preso em mim em um gutural, em um screaming. Porque, como eu já disse em outros momentos: não existe nada mais punk do que ser uma pessoa trans no Brasil”, completa.
Participações ampliam o universo de “ME SIA”
Se em SIAMESE a escolha foi concentrar a narrativa na própria artista, “ME SIA” nasce também do desejo de estabelecer encontros. O segundo álbum abre espaço para outros artistas e diferentes trajetórias da música brasileira, conectando cenas e linguagens que dialogam com o universo criado por Siamese.
Na primeira parte do projeto, participam Hiran, em “ESCALAR VOCÊ”; Scarlett Wolf, em “VIDA”; e Bixarte e Trava da Fronteira, em “FEMININA”.
“No meu primeiro álbum, SIAMESE, eu escolhi não trazer participações porque aquele trabalho tinha uma missão muito específica: apresentar a minha história e mostrar quem era a Siamese para a indústria. Em ‘ME SIA’, eu já estou em outro momento”, explica.
“Eu queria abrir esse universo para artistas que admiro e que, de alguma forma, pudessem trazer suas próprias verdades para dentro da narrativa do disco. Eu queria que essas colaborações acontecessem de forma orgânica, não apenas como um feat, mas como um encontro real entre diferentes trajetórias e linguagens”.
A escolha dos nomes também acompanha a proposta de um álbum que não se limita a uma única cena ou gênero.
“Escolhi artistas que transitam entre o underground e outros espaços da música e que carregam potencialidades que eu queria muito encontrar nesse trabalho”, conta Siamese.
Segundo ela, as participações foram pensadas para acrescentar novas perspectivas à narrativa sem descaracterizar a essência do projeto.
“A gente sentiu que ‘ME SIA’ precisava ser apresentado em duas partes, e nessa primeira etapa convidei Hiran para ‘ESCALAR VOCÊ’, Scarlett Wolf para ‘VIDA’, e Bixarte e Trava da Fronteira para ‘FEMININA’. Cada participação acrescenta uma perspectiva diferente e, ao mesmo tempo, mantém a essência de um disco que nasceu para experimentar e não pedir licença”.
Álbum será dividido em duas partes
A própria estrutura de “ME SIA” acompanha essa ideia de descoberta. O álbum será apresentado em duas partes, fazendo com que a história de SIA seja revelada progressivamente.
A primeira etapa apresenta a personagem, seus códigos e algumas das questões que atravessam o projeto, enquanto a segunda amplia essa narrativa e revela novas camadas de sua identidade.
“‘ME SIA’ é um disco que também fala sobre transformação, e acho importante que essa narrativa aconteça aos poucos. A cada parte, a SIA vai revelando uma nova camada de quem ela é”, afirma Siamese.
A construção visual de SIA
Essa transformação também acontece visualmente. A direção criativa do projeto é assinada por Aurora Klimpel, que acompanha a construção da identidade visual de Siamese desde 2017 e também foi responsável pela direção criativa de SIAMESE.
Ao longo dessa trajetória, Aurora trabalha ao lado da artista para traduzir visualmente as diferentes fases de sua carreira, criando imagens que acompanham as narrativas, sentimentos e personagens presentes em sua música.
Para Aurora, “ME SIA” representa uma continuidade da construção iniciada no primeiro álbum, mas desloca a artista para um território visual mais provocador.
“‘ME SIA’ é a continuação dessa história, agora abrindo espaço para um lado de Siamese que sempre existiu, mas que ganha protagonismo: SIA. Musicalmente, o rock assume o centro do projeto, enquanto rap e pop passam a ocupar outros lugares dentro dessa narrativa. Visualmente, SIA é mais sensual, agressiva, provocadora e menos disposta a agradar”, explica a diretora criativa.
A primeira pista dessa transformação apareceu ainda durante a era SIAMESE, quando Siamese surgiu loira no visual de “DOM”. A mudança, inicialmente percebida como uma transformação estética, tornou-se parte fundamental da construção de SIA.
Segundo Aurora, a decisão nasceu de uma investigação sobre imagem, atenção e os códigos utilizados pela própria indústria da música e da cultura pop.
“A gente começou a pesquisar como subverter a atenção a nosso favor e quais códigos da indústria pop poderiam ser apropriados por nós. Surgiu então uma pergunta que acabou dando um norte para toda essa construção: qual é a cor do cabelo da maior diva pop viva do mundo?”, revela.
A experiência com “DOM” ajudou a confirmar o impacto que aquela transformação poderia provocar.
“A Aurora já havia sugerido experimentar o visual loira em outros momentos e em DOM resolvemos experimentar. Quando apareci loira no Instagram para o clipe de ‘DOM’, tive o maior número de curtidas que já tinha recebido em stories e publicações até a época. Aquilo nos mostrou que estávamos entendendo alguma coisa importante sobre atenção e imagem. Se aquele elemento conseguia fazer as pessoas pararem para olhar, por que não usar isso a nosso favor?”, conta Siamese.
A partir de então, o cabelo loiro deixou de ser apenas uma mudança visual e passou a funcionar como parte da narrativa da personagem.
Para Aurora, a escolha carrega uma dimensão que ultrapassa a estética e permite discutir os códigos sociais associados à imagem feminina.
“O loiro carrega culturalmente ideias de desejo, luxo, poder e proteção. A partir disso, o projeto questiona uma construção social em que mulheres loiras parecem ter maior permissão para errar, serem grosseiras, dizerem o que pensam, serem contraditórias e ocuparem espaços sem precisar corresponder à expectativa de perfeição”, explica.
A proposta, portanto, não é aproximar Siamese de um padrão eurocêntrico de beleza, mas utilizar seus códigos para expor e tensionar o poder que eles exercem dentro da cultura pop.
“SIA não usa o loiro simplesmente para se aproximar de um padrão eurocêntrico de beleza. Ela utiliza esse símbolo para expor e tensionar o poder que esse padrão exerce sobre a cultura”, afirma Aurora.
“O cabelo se torna uma provocação: por que determinadas mulheres parecem ter mais liberdade para serem imperfeitas, enquanto mulheres negras são constantemente cobradas por uma imagem de força, excelência e perfeição?”.
A própria Siamese reforça que a transformação não representa uma tentativa de esconder sua identidade.
“A ideia nunca foi esconder a minha identidade. Era justamente o contrário: construir uma imagem tão forte que pudesse hackear aquilo que esperam de mim”, explica.
Para a artista, a força da personagem está justamente na apropriação desses códigos.
“A SIA usa os códigos da indústria, da diva pop e do imaginário rock para criar uma personagem que chama atenção, mas que, quando você se aproxima, revela uma narrativa muito mais profunda sobre identidade, desejo, liberdade e transgressão”.
Essa construção visual foi pensada para ser descoberta em camadas, acompanhando a própria estrutura do álbum. Aurora explica que cada elemento do projeto foi desenvolvido para ganhar novos significados conforme a narrativa avança.
“A direção criativa de ‘ME SIA’ foi construída para ser descoberta em camadas. O que inicialmente pode parecer apenas uma transformação estética ganha novos significados quando colocado em contato com a música, os visuais, as fotografias e os demais elementos do projeto”, afirma.
A diretora criativa também destaca que a transformação não termina na imagem.
“Mais do que criar uma nova aparência para Siamese, Aurora Klimpel constrói uma personagem que utiliza a própria linguagem da cultura pop para questioná-la”, diz Aurora sobre o conceito que orienta seu trabalho no projeto.
“SIA chega loira, mas o loiro não é o destino. É o dispositivo que permite que ela ocupe, provoque, erre, exagere e, finalmente, questione as regras que determinam como deveria ser vista”.
É justamente nesse contraste entre aparência e conteúdo que “ME SIA” constrói sua força. A personagem chega cercada por códigos reconhecíveis da cultura pop, mas os utiliza para questionar as regras que os sustentam.
O cabelo, a sonoridade, as letras e as colaborações fazem parte de uma mesma construção artística, em que o excesso deixa de ser algo a ser controlado e passa a ser uma ferramenta de expressão.
Se SIAMESE apresentou ao público a artista por trás do nome, “ME SIA” abre espaço para aquilo que acontece quando Siamese deixa de tentar caber em uma definição. O segundo álbum transforma experiências pessoais, referências musicais e questionamentos sobre identidade, desejo e liberdade em uma obra que não busca respostas fáceis.
“Eu queria que a SIA tivesse essa liberdade de transformar sentimentos que muitas vezes são difíceis de elaborar em música, sem precisar suavizá-los para caber em algum lugar”, afirma Siamese.
Com “ME SIA”, Siamese não abandona o que construiu até aqui. Pelo contrário, leva suas experiências, referências e inquietações para um território mais radical, onde rock, rap e música urbana se encontram com uma narrativa sobre identidade, desejo, raiva, amor e liberdade.
Dividido em duas partes, o álbum propõe que o público acompanhe essa transformação aos poucos, porque, quando se trata de SIA, aquilo que parece ser apenas uma mudança de imagem pode esconder uma história muito maior.
Conheça Siamese
Siamese é cantora e compositora paranaense radicada em São Paulo, com uma trajetória marcada por autenticidade, repertório autoral e forte presença de palco. Sua música transita entre Rock, Pop e Rap, com influências de Funk, MPB e Vogue Beat, construindo uma sonoridade urbana contemporânea que alia performance, atitude e sensibilidade.
Com carreira iniciada em 2017, lançou em 2024 o álbum “SIAMESE”, projeto aprovado pela Lei Paulo Gustavo, com apoio da Fundação Cultural de Curitiba, e destaque em veículos como Rolling Stone Brasil, HypebeatsBR e TRACE BR.
Em 2023, participou do remix de “AMEIANOITE”, no álbum After de Pabllo Vittar, ao lado de Gloria Groove e DJ Clementaum, ampliando sua projeção nacional.
No circuito ao vivo, Siamese já passou por palcos como Casa Natura Musical, Audio (SP), Cine Joia, Festival Feira Preta e SIM São Paulo. Também integrou programas de desenvolvimento artístico como o Afrolab (Feira Preta) e foi selecionada para o Pitching SIM São Paulo, reforçando seu reconhecimento no mercado da música.
A artista segue com uma agenda consistente de shows para 2026, incluindo apresentações no Teatro Paiol (Curitiba), recebendo a banda Tuyo; no Teatro TUC (Curitiba), com participação de Boombeat; e no Teatro BNDES (Rio de Janeiro), consolidando o alcance nacional da turnê.
Paralelamente, Siamese prepara seu segundo álbum, “MESIA”, em produção pelo HITLAB, selo da Universal Music, previsto para 2026, que promete ampliar sua força artística por meio de colaborações inéditas entre nomes consolidados da cena e novos artistas em ascensão, reafirmando seu lugar como uma artista em constante movimento dentro da música brasileira contemporânea.
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