Termo que manteve Flamengo e Fluminense na administração do complexo, com R$ 14,2 milhões entre outorga e despesas, teve entre seus signatários Adriana Estrella, então diretora-geral de Finanças da Casa Civil — executiva com mais de duas décadas de experiência em gestão financeira e de contratos e uma das responsáveis pela implantação da Secretaria de Transformação Digital, premiada em três categorias do Prêmio Gov.Digital 2023
Quando o Governo do Estado do Rio de Janeiro oficializou, em 26 de abril de 2023, a renovação da permissão de uso do Complexo Maracanã por Flamengo e Fluminense, o documento reuniu as assinaturas do governador Cláudio Castro, do secretário de Estado da Casa Civil, Nicola Miccione, e de representantes dos dois clubes. Entre os signatários que responderam pela dimensão administrativa e financeira do ato estava Adriana Estrella, então diretora-geral de Finanças da Casa Civil — uma das profissionais encarregadas de garantir que um acordo de mais de R$ 14,2 milhões, envolvendo um dos equipamentos esportivos mais conhecidos do país, fosse executado com controle e segurança.
O novo termo garantiu à dupla Fla-Flu a administração temporária do Estádio Jornalista Mário Filho, o Maracanã, e do Ginásio Gilberto Cardoso, o Maracanãzinho, por mais 180 dias, até 23 de outubro daquele ano. O instrumento foi firmado pelo Estado, por meio da Casa Civil, com o Clube de Regatas do Flamengo como permissionário e o Fluminense Football Club como interveniente anuente, e estabeleceu o valor de R$ 14.250.519,80, reunindo a outorga e as despesas assumidas pelos clubes durante o período.
A formalização ocorreu em meio a uma disputa que ultrapassava as quatro linhas. Os dois clubes administravam o Maracanã em conjunto desde 2019, por meio de sucessivos Termos de Permissão de Uso, enquanto o Estado preparava a retomada do processo licitatório para uma concessão de longo prazo — suspenso pelo Tribunal de Contas do Estado para ajustes no edital. Na mesma semana da renovação, a Justiça negou pedido liminar do Vasco para suspender o novo termo: a desembargadora Lídia Maria Sodré de Moraes considerou, entre outros aspectos, a proximidade de um novo processo de licitação e o risco de o complexo ficar sem administração definida.
Muito além das quatro linhas: a engrenagem financeira
Por trás do espetáculo esportivo, a gestão do Maracanã envolve uma operação de grande porte: manutenção, conservação, exploração de áreas comerciais, camarotes, estacionamento, contratos, receitas e despesas. É nessa engrenagem — pouco visível para o torcedor, mas decisiva para o funcionamento do estádio — que se concentra a atuação da equipe financeira do Estado.
“O Maracanã tem uma importância que vai muito além do futebol. Estamos falando de um patrimônio público que envolve contratos, receitas, despesas, manutenção e uma operação de grande porte. É fundamental garantir que cada etapa seja conduzida com responsabilidade e controle”, afirma Adriana Estrella.
Segundo ela, o acompanhamento de um instrumento como o Termo de Permissão de Uso exige que a análise financeira caminhe lado a lado com a execução administrativa.
“Quando lidamos com um contrato desse porte, o acompanhamento financeiro precisa caminhar junto com a execução administrativa. A responsabilidade do poder público é garantir que o instrumento seja cumprido e que haja segurança na utilização dos recursos e do patrimônio estadual.”
A especialização por trás da assinatura
A presença de Adriana entre os responsáveis pela operação reflete uma trajetória construída em ambientes de alta exigência. Antes de ingressar na administração pública, a executiva atuou por mais de duas décadas em grandes organizações industriais — foi Senior Commercial Manager na ArcelorMittal e na Votorantim e Senior Manager na Hansgrohe Brasil —, em posições nas quais negociação, gestão de contratos e coordenação de interesses distintos faziam parte da rotina.
Em 2017, iniciou uma segunda etapa profissional no Governo do Estado do Rio de Janeiro, onde se especializou na gestão financeira do setor público: execução orçamentária e financeira, acompanhamento de contratos, planejamento, liquidação de obrigações e interlocução entre o Estado e instituições financeiras. A partir de 2020, à frente da Diretoria-Geral de Finanças da Casa Civil, passou a responder pela área financeira da pasta que auxilia diretamente o governador — e que se relaciona com concessões, grandes eventos e operações como a do Complexo Maracanã.
“Uma operação dessa dimensão exige planejamento financeiro constante. Não basta assegurar a realização dos jogos. É preciso acompanhar obrigações contratuais, custos de funcionamento, compromissos financeiros e a preservação de um patrimônio que pertence ao Estado”, diz.
Uma das responsáveis por projeto premiado nacionalmente
A mesma especialização que a levou ao centro da operação do Maracanã foi decisiva em outro capítulo da administração fluminense. Adriana esteve entre os responsáveis pela implantação da Secretaria de Estado de Transformação Digital (SETD), liderando a estruturação administrativa e financeira que permitiu à nova pasta iniciar suas atividades: organização orçamentária, governança financeira, formação de equipes e definição de padrões administrativos.
Os resultados vieram rápido. Em agosto de 2023, menos de um ano após o início de sua operação, a SETD conquistou três categorias do Prêmio Gov.Digital 2023 — uma das principais premiações brasileiras dedicadas à inovação e à modernização da administração pública —, em cerimônia realizada em Brasília, durante o Seminário Nacional de TIC para a Gestão Pública (SECOP). As premiações reconheceram as soluções digitais desenvolvidas pela pasta, entregues em velocidade que, na avaliação de gestores que acompanharam a implantação, só foi possível porque a base administrativa e financeira estruturada sob a coordenação de Adriana já estava em pleno funcionamento.
“Nenhuma solução digital chega ao cidadão sem orçamento, planejamento e execução financeira organizada. Implantar uma secretaria do zero é montar essa engrenagem invisível — e é ela que sustenta os resultados que depois aparecem”, afirma a executiva.
A especialização em modelagem financeira de projetos públicos também a conectou a outras iniciativas de modernização do Estado, como a arquitetura financeira e o modelo de sustentabilidade da renovação do programa Rio Poupa Tempo, apresentado posteriormente em conferência internacional de governo digital na Estônia.
Continuidade até a concessão
No caso do Maracanã, a permissão renovada tinha caráter temporário. O objetivo do Estado seguia sendo concluir um processo de concessão capaz de estabelecer regras de longo prazo para a gestão do complexo — e a Casa Civil trabalhava nos ajustes solicitados pelo Tribunal de Contas para retomar o certame.
Para Adriana Estrella, o período exigia continuidade administrativa e atenção permanente à execução do contrato.
“O desafio é garantir estabilidade à operação enquanto o Estado avança para uma solução definitiva. Em um patrimônio desse tamanho, continuidade, controle e planejamento precisam andar juntos.”
Com o novo termo, um dos símbolos do esporte brasileiro entrou em mais um capítulo de sua administração provisória — sustentado, nos bastidores, por uma engrenagem administrativa e financeira conduzida por profissionais cuja especialização raramente aparece nos holofotes, mas sem a qual operações dessa dimensão não saem do papel.
Por: Adilson Piovan
Conteúdo produzido por colaborador do EGOBrazil e revisado pela equipe editorial antes da publicação. As informações seguem os critérios e padrões editoriais adotados pelo portal.
© EGOBrazil. Todos os direitos reservados. A reprodução total ou parcial deste conteúdo sem autorização prévia e por escrito é proibida.
Fique por dentro!
Para ficar por dentro de tudo sobre o universo dos famosos e do entretenimento siga o EGOBrazil no Instagram.










