07/05/2019

Problemas da infância podem afetar a vida adulta?

Problemas da infância podem afetar a vida adulta?Publicado em 7 maio, 2019 - 15:42 por Leonardo Almeida

Katherine Maurente é enfermeira e coordena com êxito sua equipe no hospital que trabalha. Apesar da rotina não ser fácil, Katherine diz que é muito prazeroso lidar com o ser humano e ajudar em sua evolução pessoal.  

Recentemente a enfermeira notou o quão importante é a psicologia infantil para o processo de evolução da criança até a fase adulta. 

Ao conversar e tratar de seus pacientes, percebeu que muitos adultos frustrados e com problemas psicológicos, começaram a desenvolveram tais transtornos ainda na infância. Confira a entrevista que fizemos com a enfermeira e saiba mais: 

EgoBrazil – Por que é importante fazer o acompanhamento psicológico da criança enquanto ela ainda é um bebê?  
Katherine Maurente – Quando digo acompanhamento psicológico na infância, não digo, quando bebê, quero dizer na fase escolar, acredito que na fase escolar já podemos observar a criança no seu aspecto social, pois a mesma se encontra fora de seu lugar de conforto, seu aspecto emocional, pois ela a prende a lidar com as frustações de um aspecto em geral e assim podemos observar como ela está reagindo a isso, também diante do aprendizado conseguimos observar se há algo de errado, pois qualquer problema que esteja tendo abala seu cognitivo. 

EgoBrazil Quais os indícios de que há algo errado com a criança? E como os pais devem proceder ao notar tais indícios?   

Katherine Maurente – Choro excessivo, desânimo, irritação e agressividade são indícios que algo não está certo com a criança. Ao notar esse comportamento diferente o mais indicado a se fazer é procurar um profissional terapeuta ou psicólogo que esteja pronto a orientar e tratar da criança para saber a fonte desse estresse. 

EgoBrazil– Quais problemas podem surgir a longo prazo na vida de uma pessoa que passou por transtornos psicológicos não tratados na infância?   

Katherine Maurente – Depressão; problemas nos relacionamentos seja amoroso ou interpessoal; dificuldade em tomar atitudes; síndromes de pânico; agressividade; vícios/dependência; transtornos de autoimagem; bloqueios em geral, entre outros. 

EgoBrazil- Você disse que o ideal seria que as escolas tivessem um acompanhamento psicológico infantil. O que você acha que o governo deveria fazer a respeito disso? 

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Katherine Maurente – Acredito que o governo deveria colocar a saúde mental como prioridade na atenção primária, pois podemos assim estar evitando o agrave de qualquer transtorno que essa pessoa venha a desenvolver diante de algum problema vivenciado. Acredito que na escola é o melhor lugar, pois é onde a criança fica a maior parte do dia e na escola é o lugar onde essas crianças são elas mesmas, pois estão longe da família, então conseguem expor alguns sentimentos internalizadas fora do ambiente familiar.  Se tivermos uma equipe multidisciplinar nas escolas, treinadas e aptas com esse olhar, poderemos agir para ajudar tanto essas crianças quanto suas famílias, porque muitas vezes a família também precisa de ajuda. 

EgoBrazil- No seu trabalho na unidade hospitalar já deve ter se deparado com diversos casos de crianças que chegaram com muitos problemas psicológicos e que depois do acompanhamento ficaram bem. Consegue citar um exemplo de como foi essa experiência para você? 

Katherine Maurente – Minha experiência foi com uma criança que deu entrada em uma unidade hospitalar de emergência, com a vó relatando alguns sintomas clínicos até típico de crianças, diante de uma avaliação e exames, não foi constatado nenhuma patologia nesta criança, mas a pediatra com a equipe com um olhar diferenciado pôde observar que a criança de alguma maneira precisava chamar atenção, mostrar algo, então a pediatra a encaminhou para o serviço de psicologia e neurologia. Saímos do julgamento da criança mimada ou com “frescura” para um olhar mais específico. Infelizmente quando trabalhamos em unidade de emergência não temos um retorno desse paciente, mas foi o divisor de águas para mim, pois nós estamos condicionados a tantos julgamentos sem saber ao certo o porquê das atitudes do próximo, e o que me impressiona mais é que vivemos em um mundo onde levantamos tantas bandeiras mas estamos abaixando a bandeira principal, que é a compaixão, empatia, respeito, compreensão. Julgamos sem pensar, até mesmo as crianças, mas as crianças as vezes são o reflexo de pais doentes. Por isso precisamos cuidar um dos outros, sem julgamentos apenas respeito a dor do próximo, mas cada um sente a dor de uma maneira. 

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Katherine é enfermeira, coach e hipnoterapeuta. Atualmente usa sua rede social para expandir seus ensinamentos para fora dos muros do hospital. Em seu instagram que conta com mais de 30 mil seguidores, divide seu trabalho, conhecimentos e mensagens positivas, mostrando que todos são capazes de modificar a vida mentalmente e fisicamente. 

  

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