04/10/2018

O mercado de alimentos sem glúten apresentou um crescimento significativo

O mercado de alimentos sem glúten apresentou um crescimento significativo

Mercado sem glúten em crescimento e 55% dos consumidores celíacos gastam 30% do orçamento, ou mais, com produtos sem a substância

 

O mercado de alimentos sem glúten apresentou um crescimento significativo nos últimos anos, apoiado na necessidade de pessoas com doença celíaca (DC) e intolerantes ao glúten. Dados da consultoria internacional Euromonitor revelam que esse nicho, e da chamada gastronomia funcional, deve crescer cerca de 30% até 2020. Outro estudo, publicado na revista Science Translation, em 2010, indica que cerca de 1% da população ocidental tem intolerância ao glúten. No Brasil, de acordo com a Associação de Celíacos do Brasil (Acelbra), há um portador da doença celíaca para cada 600 habitantes e esse número pode ser bem maior, já que as pesquisas levaram em consideração apenas os já diagnosticados. O Conselho Nacional de Saúde (CNS) estima que dois milhões de pessoas, no país, sejam afetadas pela enfermidade.

 

Atualmente, o consumo anual de pães sem glúten está em pouco mais de US$ 1 dólar per capita no Brasil. Já bolos e massas sem a substância têm o consumo abaixo de US$ 0,50 per capita, segundo a Euromonitor. As iniciativas no mercado de alimentos sem glúten seguem uma tendência de alta apresentada também pela área de alimentação saudável em geral. “A necessidade de debater formas alternativas de alimentação saudável acompanha as tendências do mercado, que demandam por informações qualificadas para orientar profissionais da saúde, celíacos e interessados no assunto”, ressalta a empresária e culinarista Denise Godinho. Proprietária da marca “Sabor Sem Glúten” e autora do livro homônimo, ela conta que está desenvolvendo e aperfeiçoando cada vez mais produtos para atender essa demanda crescente. “Hoje, 55% dos consumidores celíacos gastam 30% ou mais do orçamento no supermercado com produtos sem glúten”. 

 

A empresária ressalta o aumento do mix de produtos saudáveis nas lojas especializadas e, para ela, quanto mais o consumidor souber dos benefícios dos alimentos sem glúten, mais ele irá querer consumi-los.  Na linha de produtos criados por Denise está a de massas pré-prontas sem glúten. “Tivemos crescimento de 50% no ano passado e esperamos que, em 2019, tenhamos um acréscimo de 30% nas vendas”.

 

História

A empresária começou a se interessar pela alimentação sem glúten quando o filho, aos dois anos, manifestou a alergia à substância e à proteína do leite de vaca. “Percebi que minha dedicação tinha que ser intensificada diante de tantas restrições alimentares que seriam necessárias durante o tratamento. À primeira vista, achei que seria fácil, mas a história não foi bem assim”, conta.

 

A falta de opção de alimentos não alergênicos, principalmente o glúten, foi o incentivo para que ela começasse a desenvolver receitas seguras e, ao mesmo tempo, saborosas e nutritivas.  Como o glúten é o responsável pela liga em massas, as farinhas substitutas, como farinha de arroz, amido de milho, fécula de batata e de mandioca, fubá, quinoa, grão de bico, lentilha e outras. não proporcionavam o mesmo resultado nas receitas. “Muitas vezes. a massa ficava esfarelada, em outras pesada ou solada. Então, já que não encontrava preparações que combinassem ingredientes sem glúten e sem leite, passei a adaptar as receitas convencionais. Hoje em dia, isso se transformou no meu principal negócio”, acrescenta Godinho.

 

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