01/12/2018

Marcas que apostam na diversidade ganham espaço em Porto Alegre

Marcas que apostam na diversidade ganham espaço em Porto Alegre

Marcas que apostam na diversidade ganham espaço em Porto Alegre

Novos empreendedores mostram preocupação com representatividade e feminismo

Movimentos como o Fashion Revolution e o Slow Fashion trouxeram novos conceitos sobre o consumo e produção de peças de vestuário. A primeira luta em defesa da transparência na produção de roupas e a segunda incentiva a consciência ética sobre o consumo fashionista.

Ambos os movimentos também valorizam a diversidade e originalidade em produtos autorais. Em Porto Alegre, duas marcas nasceram a partir da carência de representatividade em suas necessidades e resolveram ampliar o mercado com suas especialidades.

Freyja foi criada pelo casal Nadja Mariel e Joyce Cordeiro para atender o público feminino fã de camisas divertidas. A ideia nasceu após Nadja cansar de ir atrás de peças nas seções masculinas e só encontrar tamanhos desproporcionais ao seu corpo. “Eu sempre fui muito moderninha no vestir. As camisas femininas são sempre estampadas com temas florais ou coisas meigas do universo feminino. Já cheguei a comprar camisa masculina e o caimento ficar péssimo”, recordou.

Segundo Nadja, a Freyja também é um movimento que abraça o empreendedorismo e o feminismo. “Juntas queremos oferecer estampas e modelagens mais despojadas. Além de contribuir para fortalecer o consumo e produção do mercado feminino. Principalmente na moda, que apesar de parecer um mercado feminino, na verdade, é ditado quase que na sua totalidade por homens”, disse.

moda africana também era outro exemplo que não se sentia representado no Rio Grande do Sul, especificamente em Porto Alegre. O africano Agossou Djosse Ignace Kokoye, mais conhecido como Kadi, criou a marca Consone após voltar de uma viagem de seu país natal, Benin, na África Ocidental. Residente na Capital desde 2010, o engenheiro agrônomo, bancário e também mestrando em Economia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) trouxe roupas típicas africanas de presente para amigos.

“Eles começaram a postar nas redes sociais e o pessoal me perguntava onde conseguia as minhas camisas. Então começaram a me contatar e eu mandei mensagem para minha mãe – porque ela trabalha com roupas e tecidos há 30 anos – e ela começou a mandar as camisas para mim”, recordou Kadi. Há poucos dias, Consone uniu-se a outro empreendimento africano, o salão Tranças África, voltado para o público negro.

“A gente casou com a marca que tem tudo a ver conosco”, afirma Elisa Ricardo Mateus, diretora do salão, que existe há 11 anos.

 

Foto: Lou Cardoso / Especial / CP