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22/09/2018

Luisa Mell reflete sobre ativismo e lembra período de depressão

Luisa Mell reflete sobre ativismo e lembra período de depressãoPublicado em 22 set, 2018 - 14:55 por Redação BR

Luisa Mell, ativista completa 40 anos e, em autobiografia, faz balanço de sua trajetória e da luta em prol dos animais

Luisa Mell ficou conhecida do grande público como apresentadora de TV – mas, aos poucos, a temática do programa que comandava acabou se tornando o seu lema de vida. A defesa da causa animal ganhou um espaço tão importante em sua rotina que, hoje, é o grande motor de sua existência e foi o que lhe deu força em alguns dos momentos mais difíceis pelos quais passou. Completando 40 anos nesta quarta-feira, 19/9, ela celebra a data com uma autobiografia. Lançado no início deste ano, o livro ‘Como os Animais Salvaram Minha Vida’ (Globo Livros), reúne os relatos da ativista sobre suas lutas, depressão, família e, acima de tudo, muito amor aos bichos.

“Quando comecei a escrever e vi como teria que ser o livro, que teria que abrir minha vida pessoal para contar tudo, me deram total liberdade. Foi maravilhoso”

A relação de Luisa com os animais começou bem antes da televisão. “Adotei minha primeira cachorra antes do programa e logo percebi que havia um preconceito”, conta ela, sobre a vira-lata que inicialmente foi batizada de Principessa, em homenagem ao filme ‘A Vida é Bela’, e depois teve o nome mudado para Dino, inspirada no dinossauro de estimação do desenho animado ‘Os Flinstones’. “Hoje em dia é diferente, mas, há 20 anos, eu andava na rua com ela e as pessoas ficavam horrorizadas, falavam coisas terríveis, como: ‘Tão bonita, com um cachorro desses'”, lembra.

Foi esta primeira cachorrinha, aliás, uma das inspirações para o nome do livro. “Esse título tem várias respostas e a primeira eu coloco logo no começo. Essa vira-lata me salvou de uma vida fútil. Eu via as coisas de um jeito e, depois dela, me tornei outra pessoa”, conta Luisa, lembrando que Dino também foi a responsável por dar um novo sentido à vida de seu pai. “Em 1998, minha avó morreu atropelada e meu pai entrou numa depressão profunda. Foi a cachorra que o salvou, que ficava com ele. Ele é roteirista e, depois disso, escreveu o meu programa sobre animais, porque percebeu que muita gente tinha histórias parecidas”, diz.

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“Quando comecei na TV, fui massacrada, as pessoas gozavam muito de mim. Hoje, muita gente me pede desculpas e diz que também chora com o sofrimento dos animais”

O trabalho na televisão serviu para que percebecesse sua verdadeira vocação. “Logo na primeira matéria que fui gravar, surgiu a ‘Luisa protetora dos animais’. Percebi que eu não era apresentadora, só usei a TV para falar disso”, acredita ela, que mesmo com o fim da atração, em 2008, seguiu em sua luta em prol da causa, que se estendeu para além dos cães e gatos.

“Saí da TV e não saí da causa animal, me tornei cada vez mais ativista”

E foi deste período que veio a segunda inspiração para o nome do livro. Em 2009, foi a vez de Luisa sofrer os efeitos de uma dura depressão que, por vezes, fez com que pensasse até em suicídio – e os animais estavam lá mais uma vez para salvá-la. “O título também veio por esta época. A causa animal deu um sentido à minha vida. Eles dependiam de mim e, por pior que eu estivesse, tinha que sobreviver para cuidar deles”, conta.

“Quando fiquei muito deprimida, pensava em me matar e só não fiz pelos meus cachorros. Eles me faziam levantar da cama, me davam força para lutar, não desistir”

Um tempo depois, já recuperada da depressão, Luisa descobriu na internet uma força capaz de potencializar e dar maior visibilidade à sua luta. “No começo, eu odiava, era todo mundo me pedindo ajuda. Depois, vi que podia formar um exército de pessoas para lutar comigo”, confessa ela, que inicialmente criou a campanha #Adotei. “Nessa época, resgatava os animais e levava para casa escondida do meu marido. Já tive mais de vinte cachorros escondidos em casa, além dos outros dois que já eram meus”.

Há três anos, o projeto cresceu ainda mais e ganhou uma sede: o Instituto Luisa Mell, que abriga atualmente cerca de 400 animais. Lá, ela conta com uma equipe que tem, entre tantas reponsabilidades, manter seus pés no chão. “Tenho uma diretoria muito forte, um controla o outro. Eles me dão bronca, porque não adianta pegar os bichos da rua e não conseguir cuidar direito. Sempre digo que não posso salvar todos, mas todos que resgato têm tudo que existe de melhor para eles, que sofreram tanto”, diz ela, que completa: “Graças à minha visibilidade, consigo fazer feiras e doar muitos. Isso é fundamental”.

“Por mais que as pessoas façam os resgates por amor, acabam se descontrolando. Sempre tive medo de me tornar uma dessas pessoas”

Hoje, Luisa comemora a mudança de mentalidade das pessoas, que passaram a valorizar mais a causa animal ao longo dos anos. “Eu sou a mesma, o mundo que foi mudando. As pessoas foram ficando mais sensíveis a isso”, acredita. Ela sabe, no entanto, que ainda tem um longo caminho a percorrer e, com uma atuação cada vez mais política, diz sofrer muitas represálias pela luta em outras áreas: “Não defendo só cachorro e gato, também luto contra a vaquejada, o rodeio, os produtos animais… Nesses meios, as pessoas ainda me agridem muito, acham que sou maluca”.

“Não vou dizer que não tem dias que eu fraqueje, fico muito abalada. Lido diretamente com a maldade humana. É horrível, mas aprendi a comemorar cada animal que salvo – e são milhares”

“O livro mostra isso, todo o sofrimento que passei pelos animais. As pessoas dizem que agora me entendem. Podemos realmente transformar esse mundo”

O Centro de Valorização da Vida (CVV) realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo, por telefone, e-mail e chat 24 horas todos os dias. Disque 188.

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