Game of Thrones é a série que mais ditou moda neste século

Dragões, veludo vermelho, peles e bordados dourados foram parar nas prateleiras além do muro de Westeros

               Game of Thrones é a série que mais ditou moda neste séculoPublicado, 15 abr, 2019 - 14:04 por Redação BR

Quando o inverno acabar daqui seis domingos, em maio, Game of Thrones (HBO) terá concluído o feito de ser, até agora, a série de TV mais relevante para a moda internacional neste século.

Desde que foi lançada, em 2011, a produção colou nas passarelas e nas vitrines capas monárquicas bordadas em ouro, dragões esculpidos em tecido e metais preciosos, ombros cravejados, peles e uma cartela de cores sombria, do vermelho-sangue aos tons terrosos.

Também responsável pelos armários de “The Crown” (Netflix), outro seriado avassalador nas passarelas, a figurinista Michele Clapton está no trono de ferro da alta-costura bem à frente dos birôs de tendências com relatórios de previsões de estilo e cores estranhas eleitas como as do ano.

Da semana de moda de Paris à São Paulo Fashion Week, o território fashion virou uma grande Westeros, o mundo por trás do muro que divide vivos e mortos.

Percebeu como o veludo dado como morto, de repente, deixou o exílio dos 1970 e reapareceu molhado em vestidos como os da Mulher de Vermelho, apelido da bruxa Melisandre?

Ou que o viés militar da moda masculina assumiu um verniz nórdico, com chapéus felpudos, capas de couro e detalhes de armadura que parecem ter saído de algum guarda-roupa de Winterfell, o castelo do protetor do norte Jon Snow?

A Valentino do estilista Pierpaolo Piccioli, a Givenchy e o libanês Elie Saab já homenagearam a série de forma literal, em vestidos confeccionados com um tom de princesa visto em várias camadas de tule bordado e decotes geométricos do tipo Daenarys Targaryen. A Mãe dos Dragões da série é afeita ao estilo helênico esvoaçante que virou tendência perpetuada há cinco anos.

Foi com essa personagem, vivida pela atriz Emilia Clarke, que um dragão de prata pura enrolado no pescoço virou um dos acessórios mais comentados e fetichizados pelos fãs.

Ele pareceu pela primeira vez na quinta temporada e é vendido por cerca de R$ 10.500 no site da grife Mey London, dos designers ingleses Eliza Higginbotton e Yunus Ascott, que criaram junto a Clapton os itens de joalheria da série.

Até a francesa Hermès, que não costuma ceder à cultura pop em suas coleções, cravou na última coleção masculina, desfilada em janeiro deste ano, uma dragão estilizado nas lapelas dos costumes e nas bolsas com aplicações de, adivinhe, veludo.

Claro que a HBO não deixou de capitalizar o sucesso da série no meio da costura e fechou acordo com parceiros de peso para a confecção e a venda autorizada do figurino de seus personagens.

Além dos joalheiros, o estilista John Varvatos lançou a coleção GOT X JV, composta pela jaqueta de Winterfell (R$ 11.700), feita de couro de carneiro detonado; a camisa de linho Pedra do Dragão (R$ 6.500); a jaqueta Casterly Rock (R$ 7.380), feita de fibra de cannabis; o casaco de moletom Corvo de Três Olhos (R$ 727); e a camisa, esgotada, Herança (R$ 858).

Roupas com a varejista Riachuelo, sandálias de borracha Havaianas e até uísque Johnnie Walker foram outras parcerias fechadas pelo canal para conquistar os Sete Reinos no varejo.

A oitava e última temporada que estreou no domingo (14) só deve jogar ainda mais fantasia nos armários e dar sobrevida, pelo menos até 2020, à série mais fashionista desde “Sex And The City” (1998).

Pedro Diniz / Fotos: Reprodução