Pernambucano lança o aguardado álbum “OURO” e rebate críticas pela versão em piseiro de Cazuza: “Se é pra encarar a tristeza, eu prefiro dançando”.
Após dois anos e meio de imersão criativa, o cantor e compositor pernambucano Romero Ferro acaba de disponibilizar em todas as plataformas de streaming o álbum “OURO”. O projeto fecha a famosa trilogia conceitual iniciada com “Arsênico” (2016) e “Ferro” (2019), propondo um mergulho profundo nas suas memórias do Agreste e na aceitação de sua própria identidade.
Com 12 faixas e um time de peso nas colaborações — Catto, Àttooxxá, Luiz Lins, Ylana e Coco Raízes de Arcoverde , o trabalho funde brega, maracatu, forró, piseiro e MPB a beats eletrônicos do pop contemporâneo.
Um dos momentos mais ousados do disco é a releitura de “O Tempo Não Para”, clássico de Cazuza, transformado em forró e piseiro. Quando questionado se teve receio da reação dos puristas da MPB diante da mudança de ritmo, o artista não escondeu as críticas que recebeu, mas rebateu a visão conservadora:
“Tive sim [receio], e recebi críticas bem diferentes sobre essa versão. Por um lado, muita gente achou genial; por outro, teve quem dissesse que eu diluí a obra do Cazuza. E acho que existe um certo elitismo nessa visão, porque coloca o piseiro e o forró como algo menor. Pra mim, é justamente o contrário. A gente já enfrenta durezas o tempo inteiro, o mundo está sempre nos colocando diante de novos limites. Se é pra encarar a tristeza, eu prefiro dançando, me entregando por completo. Era isso que eu queria para essa canção”, desabafa Romero.

A relação com a tradição nordestina também ganha destaque na faixa “Meio do Caminho”, que traz um sample oficial de Dominguinhos. A liberação veio acompanhada de afeto, graças à amizade do cantor com Liv Moraes, filha do lendário sanfoneiro:
“Além de todo o processo de autorização para o uso de samples, eu sou amigo da Liv Moraes, filha do Dominguinhos. A gente já conversava há algum tempo sobre essa homenagem, que estava na minha cabeça desde o início do álbum, mas eu ainda não sabia como fazer. Teve um momento em que achei que nem fosse acontecer. Por isso, ‘Meio do Caminho’ foi uma das últimas faixas a ser escrita e produzida, e acabou virando uma das nossas preferidas”, revela.

A viagem às suas origens em Garanhuns aparece até na estética dos visuais do álbum, que resgata relíquias familiares e brinquedos do passado:
“Toda a parte visual de OURO é muito symbolic pra mim. Uso roupas da minha mãe e da minha avó, uma das calças, inclusive, foi feita com cortinas da minha avó. O piano que aparece foi um dos meus brinquedos de infância. Minha família também participou da produção e da figuração, e gravei em lugares onde essas histórias realmente aconteceram. Foi um processo inteiro de revisitar e ressignificar minhas próprias memórias.”
Romero confidenciou ainda que não planejava criar uma trilogia quando começou sua carreira solo em 2016, e que a ideia foi amadurecendo ao longo dos lançamentos:
“Não tinha isso em mente no começo. Eu era muito novo e tinha uma consciência artística bem diferente. Mas tudo foi me levando para esse caminho. Quando lancei FERRO, em 2019, eu queria tirar o Romero do meu nome e ficar só ‘FERRO’, por isso o álbum ganhou esse título. Aí todo mundo achou que eu estava fazendo algum projeto com a tabela periódica (risos). Foi quando meu sócio, Maurício Spinelli, trouxe essa ideia de uma trilogia de forma mais estruturada, e eu senti que fazia sentido.”
Sobre o amadurecimento das composições ao longo dos dois anos e meio de produção, ele assume que o tempo foi seu maior aliado para transformar as demos iniciais:
“Muita coisa aconteceu na minha vida pessoal e profissional nesse período, então é claro que algumas músicas mudaram bastante. ‘OURO’ e ‘DEUS ME LIVRE DESSE CÉU’, principalmente, tiveram muitas versões, as primeiras ideias estavam bem distantes do resultado final. Ainda bem que eu tive tempo para amadurecê-las (risos).”
Completando o conceito multissensorial, todas as 12 faixas do álbum receberam video performances exclusivas em Libras, desenvolvidas em parceria com a intérprete Nayara Rodrigues e o consultor de acessibilidade Maurício Spinelli, com patrocínio do PROAC-SP.
“Acredito que a arte fica ainda mais bonita quando consegue incluir mais pessoas”, celebra o artista.

Tracklist Oficial de “OURO”
1. OURO (feat. Coco Raízes de Arcoverde)
2. ExFINGE (feat. Àttooxxá)
3. COVARDIA (feat. Luiz Lins)
4. MEIO DO CAMINHO
5. DA ETERNIDADE AO FIM
6. SAFOFO
7. O TEMPO NÃO PARA
8. AMOR PROIBIDO
9. RACIONAL (at tu)
10. O PREÇO QUE A ALMA AGUENTA (feat. Ylana)
11. MISTÉRIO DA MISTURA
12. DEUS ME LIVRE DESSE CÉU (feat. Catto)
1. OURO (feat. Coco Raízes de Arcoverde)
2. ExFINGE (feat. Àttooxxá)
3. COVARDIA (feat. Luiz Lins)
4. MEIO DO CAMINHO
5. DA ETERNIDADE AO FIM
6. SAFOFO
7. O TEMPO NÃO PARA
8. AMOR PROIBIDO
9. RACIONAL (at tu)
10. O PREÇO QUE A ALMA AGUENTA (feat. Ylana)
11. MISTÉRIO DA MISTURA
12. DEUS ME LIVRE DESSE CÉU (feat. Catto)
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