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Dia sem Sacos Plásticos abre debate sobre o que realmente define o impacto ambiental do material 

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No Dia Internacional sem Sacos Plásticos, especialistas alertam que medidas isoladas de restrição têm efeito limitado enquanto o país não avançar em educação ambiental, logística reversa e economia circular

Todo 3 de julho, o Dia Internacional sem Sacos Plásticos recoloca em debate o consumo desse tipo de embalagem. A discussão, porém, costuma concentrar atenção no produto e deixar em segundo plano um fator apontado por especialistas como decisivo para reduzir os impactos ambientais: o destino adequado dos resíduos após o uso. Em um país que ainda enfrenta dificuldades para ampliar a coleta seletiva, fortalecer a reciclagem e consolidar sistemas de logística reversa, a educação ambiental aparece como uma das ferramentas mais eficazes para mudar esse cenário.

Para Alfredo Schmitt, presidente do Instituto SustenPlást, entidade voltada à educação ambiental e à promoção da economia circular na cadeia do plástico, restringir um determinado material, isoladamente, produz resultados limitados quando a estrutura de gestão de resíduos permanece incompleta.

“O plástico é um material presente em praticamente todos os setores da economia, da saúde à alimentação, da construção civil ao transporte. O impacto ambiental que associamos a ele não é uma característica do material em si, mas do que fazemos com ele depois do uso. Proibir ou restringir não resolve se não houver estrutura de coleta, reciclagem e conscientização para fazer o resíduo circular.”

O descarte inadequado como raiz do problema

O Brasil ainda enfrenta desafios estruturais na gestão de resíduos sólidos. A Política Nacional de Resíduos Sólidos, instituída em 2010, estabeleceu metas para a eliminação de lixões e a expansão da logística reversa, mas a implementação avançou de forma desigual entre estados e municípios. A reciclagem de plásticos, em particular, depende de uma cadeia que envolve coleta seletiva, triagem, indústria recicladora e mercado para o material recuperado e essa cadeia ainda apresenta lacunas significativas em grande parte do território nacional.

Segundo Schmitt, é nesse contexto que a educação ambiental se torna mais determinante do que restrições pontuais.

“Quando o consumidor não sabe separar o resíduo, quando o município não oferece coleta seletiva e quando não há destino adequado para o material recolhido, a proibição de um tipo específico de embalagem desloca o problema para outro material, sem necessariamente resolver a questão do descarte. A mudança que produz resultado consistente é a que atua na consciência das pessoas e na infraestrutura que suporta o comportamento correto.”

Responsabilidade compartilhada: indústria, consumidor e poder público

Um dos pilares da atuação do Instituto SustenPlást é a ideia de que a sustentabilidade na cadeia do plástico não depende de um único agente. Indústria, consumidor e poder público têm papéis distintos e complementares nesse processo.

À indústria cabe investir em ecodesign, reduzir a quantidade de material nas embalagens, ampliar o uso de material reciclado na produção e participar de sistemas de logística reversa. Ao poder público, estruturar a coleta seletiva, regulamentar com consistência e criar incentivos para o mercado de recicláveis. Ao consumidor, separar, descartar corretamente e fazer escolhas informadas.

“O conceito de economia circular aplicado ao plástico exige que o material não termine em um aterro ou no meio ambiente, mas retorne à cadeia produtiva. Para isso funcionar, cada elo precisa cumprir sua parte. Quando um elo falha, o sistema perde eficiência”, explica o presidente do Instituto SustenPlást.

Ele ressalta que iniciativas de educação ambiental bem estruturadas desenvolvidas em parceria com escolas, comunidades e empresas têm demonstrado resultados mais duradouros do que campanhas sazonais de restrição, porque atuam na formação de hábitos e na compreensão do ciclo de vida dos materiais.

Como a responsabilidade compartilhada pode produzir resultados 

Na prática, a mudança começa em hábitos simples. Para o consumidor, o primeiro passo é separar os resíduos plásticos dos orgânicos antes do descarte, garantindo que o material chegue limpo e seco aos pontos de coleta seletiva. Sacolas plásticas, embalagens e outros itens que não estejam contaminados por restos de alimento têm muito mais chance de ser reciclados quando descartados corretamente.

Outro cuidado importante é evitar o descarte em locais inadequados como calçadas, bueiros e terrenos baldios. Quando o plástico vai parar nesses locais, ele perde qualquer possibilidade de retornar à cadeia produtiva e passa a representar um risco real ao meio ambiente. Verificar os pontos de entrega voluntária disponíveis no município é uma alternativa para quem não tem acesso à coleta seletiva regular.

Para empresas e organizações, o caminho passa por adotar práticas de logística reversa, investir em embalagens com menor quantidade de material, ampliar o uso de conteúdo reciclado na produção e engajar fornecedores e clientes em programas de descarte responsável. Grandes redes varejistas, indústrias e operadores logísticos têm capacidade de influenciar toda a cadeia e essa influência, quando bem direcionada, gera impacto em escala.

“O consumidor não pode fazer tudo sozinho, assim como a indústria não resolve o problema sem o engajamento de quem está no fim da cadeia. O que muda o resultado é quando cada parte age dentro do que está ao seu alcance, de forma consistente e não apenas em datas comemorativas”, afirma Schmitt.

Para Schmitt,  estimular o debate público é sempre saudável, desde que a discussão considere todas as etapas da gestão de resíduos e todas as variáveis técnicas de cada material e sucedâneos.

“O avanço da sustentabilidade depende de informação qualificada, infraestrutura compatível e participação conjunta da sociedade, das empresas e do poder público. Quanto maior a capacidade de reinserir os materiais na cadeia produtiva, maior será o benefício ambiental, econômico e social proporcionado pela economia circular.”

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