Debate sobre diversidade no mundo nerd tem pedido de Casamento Gay surpresa



Debate sobre diversidade no mundo nerd tem pedido de Casamento Gay surpresaPublicado por Redação BR em 24 jun, 2018 - 22:10 -

O universo da chamada cultura nerd/pop, que engloba quadrinhos, séries, filmes e jogos, ainda é reconhecidamente marcado por preconceitos de gênero, sexualidade, racismo e machismo. A luta pela pluralidade nesses espaços, no entanto, ganha mais adeptos e a militância demarca seus enfrentamentos e posições. Com o tema “Diversidade no mundo nerd”, o painel realizado no Festival Vida&Arte, neste sábado, 23,  abordou a importância da democratização dessa pauta. O debate contou com a presença de Alice Falcão do Bacontástico, Gambit Dance do Bichas Nerds, Rubens Rodrigues, do Repórter Entrelinhas, e Renan Lelis, do Poltrona Nerd, além da mediação de Fernando Diego Sioli, do POPssauro.

Alice Falcão critica as famosas “perguntas testes” que são feitas a todas as mulheres que gostam de temas ditos masculinos, como cultura geek ou futebol. “Quem nunca ouviu um questionamento sobre personagens para testar conhecimento?”,

Casamento Gay

Casamento Gay

desabafa. A quadrinista Débora Santos, integrante do selo de quadrinhos Netuno Press, celebrou a realização do espaço.

“Quando comecei a me interessar por quadrinhos aqui em Fortaleza, só conhecia homens. Na época, conheci as namoradas dos meninos que faziam quadrinhos, fiquei amiga delas e a gente decidiu fazer um evento produzido por mulheres e com todas as convidadas mulheres, o Desenquadradas, realizado no Porto Iracema em 2014. É muito importante a gente se organizar politicamente e ter esse apoio de outros artistas”, salienta.
“O mundo nerd é um recorte da sociedade. Se a sociedade é preconceituosa, o mundo nerd também é. Ninguém quer ser associado à homossexualidade, por exemplo, porque isso é desmoralizante. Dentro do universo nerd, a gente sente nos boicotes. Se tem um Wolverine em uma outra realidade nos quadrinhos, em outro mundo em que as pessoas são diferentes, e esse Wolverine é gay, a crítica é certa: ‘Ah, pra que isso? Por que não inventam outro Wolverine, pra que transformar um personagem que já existe?’. É assim que a gente percebe o preconceito. Ninguém é preconceituoso até a página dois”, destaca Gambit Dance.
Apesar das dificuldades, diversas iniciativas vão na contramão dessa narrativa normativa ainda muito arraigada em discriminações. Produções como X-Men, Mulher Maravilha, Pantera Negra, Steven Universe, Irmão do Jorel e Xavien conquistam cada vez mais fãs que se veem representados por essas personagens.
“Eu acredito que a primeira etapa para vencer esse preconceito na sociedade e no universo nerd é botar a cara no sol. Eu acredito que, enquanto a gente ficar com medo das pessoas e se esconder, as pessoas vão acreditar que estão certas na posição delas e a gente não vai fazer volume. Enquanto a gente não fizer volume, não ganha direitos. O conselho que eu dou para todo mundo é se assuma. Diga no seu trabalho, na faculdade, as pessoas precisam entender que você está lá no meio delas. Tem passos que são muito difíceis de dar, mas eu acredito é importante a gente dizer que existe. A democracia existe para garantir que pessoas que não são favorecidas sejam protegidas. Qualquer pessoa que está fora da curva vai sofrer com aquilo. As pessoas têm que compreender que existe a diversidade no mundo. Eu não vou voltar para o armário por sua causa”, encerra Gambit Dance.
Em um discurso emocionado, Gambit Dance aproveitou o espaço no Festival Vida&Arte para pedir seu namorado Alexandre Fagundes em casamento publicamente. O Chef de cozinha em um restaurante de gastronomia contemporânea comemorou o gesto: “Eu tô surpreso, tô efusivo, nunca imaginaria! Esse gesto público é importante enquanto ato político porque vai abrir portas e é importante a gente dizer que existe e resiste”.
Divulgação / Fotos: Júlio Caesar
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