04/10/2018

Cláudia Navarro é ginecologista e fala sobre a maternidade e câncer de Mama

Cláudia Navarro é ginecologista e fala sobre a maternidade e câncer de Mama

Cláudia Navarro é ginecologista, especialista em reprodução assistida e diretora clínica da Life Search

O câncer de mama é o câncer mais comum entre as mulheres em todo o mundo. A idade média dos pacientes com esse tipo de doença é acima dos 60 anos e, apesar de ser raramente encontrado em mulheres com menos de 40 anos, pode ser diagnosticado em indivíduos muito jovens, ou seja, abaixo dos 30 anos. Nesses casos, em mulheres jovens, que ainda não tiveram sua prole definida, a preservação da fertilidade é um desafio terapêutico adicional.

Uma vez alcançado o alto índice de sobrevida nesta doença, chegou a hora de se preocupar com a qualidade de vida destas mulheres. E a possibilidade de uma gravidez futura é uma dúvida que aflige as jovens afetadas pelo câncer de mama.

A resposta está na medicina, que trabalha pelas pessoas, por suas esperanças, sonhos e desejos. Além de as chances de cura serem cada vez mais altas no caso do câncer de mama, na medicina, a mulher encontra também respostas para o sonho de se tornar mãe após um tratamento bem-sucedido contra o tumor maligno: congelamento de óvulos e fertilização.

O congelamento de óvulos (criopreservação) é uma alternativa que deve ser ofertada à mulher antes do tratamento contra o câncer. As terapias que envolvem o combate ao tumor maligno, principalmente a quimioterapia, podem impactar na fertilidade, de forma que uma concepção natural seja dificultada posteriormente.

Então, para fazer o congelamento, os óvulos são coletados após uma indução da ovulação. Isso é feito com medicamentos seguros, que não irão piorar a doença. E, na maioria das vezes, o atraso no início da quimioterapia, tempo necessário para o congelamento, não irá trazer prejuízos ao tratamento.

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Vale ressaltar, que a mulher que opta pelo congelamento não precisa ser casada ou ter um parceiro. A decisão de uma gravidez fica a cargo dela, após o tratamento contra o câncer, podendo contar com um doador anônimo, por exemplo.

O gameta feminino ficará, assim, armazenado para quando a mulher estiver em plenas condições de saúde para engravidar, quando então, seus óvulos previamente congelados, irão passar pelo processo de fertilização in vitro (FIV) – ou seja, em laboratório, gerando embriões que serão transferidos para o seu útero.

Outra opção, ainda experimental, mas que já apresenta resultados promissores é o congelamento de tecido ovariano. Este processo dispensa a necessidade de estimulação ovariana pré-quimioterapia e ainda possibilita, teoricamente, que o tecido ovariano, posteriormente implantado na paciente, realize uma reposição natural dos hormônios naqueles casos em que houver uma insuficiência ovariana em consequência ao tratamento.Por fim, vale lembrar que nenhum tratamento, até o momento, é capaz de apresentar uma garantia total para uma gravidez futura, mas os resultados tem sido cada vez mais satisfatórios. Essas são algumas das respostas da medicina para o sonho da maternidade após a turbulência do câncer de mama. Quando a medicina apresenta esse tipo de alternativa, de cuidado, de zelo com a mulher que ainda deseja gerar um filho, vem também uma visão, uma esperança pelo o fim do tratamento bem-sucedido, com uma nova vida de saúde, ao lado da família e de quem estará no ventre, para chegar.