15/07/2018

Caçada às trans?

Caçada às trans?

Apesar da fama internacional de ser aberta e sem-preconceitos, a sociedade brasileira não tem nada do que se orgulhar quando o assunto é o tratamento dado às pessoas trans. De acordo com a ONG Transgender Europe, o Brasil é o país que mais mata travestis, transexuais e pessoas trans em todo o mundo.

No último fim de semana, Michelle, trans de 16 anos, foi executada a tiros por ocupantes de uma moto, em Itaperuna, Norte do Estado do Rio. O caso da jovem está longe de ser raro na realidade brasileira. Segundo a Transgender Europe, de 2008 a 2016, ocorreram no Brasil 868 assassinatos de pessoas trans, o triplo do número de casos ocorridos no México e seis vezes a quantidade de crimes semelhantes nos EUA, tudo isso no mesmo período.

Em Janeiro, a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) divulgou relatório segundo o qual, somente no ano passado foram praticados no Brasil 179 homicídios contra pessoas trans, ou seja, 15% a mais que os 144 registrados em 2016.

Foi também o recorde verificado desde 2008. Deste total, apenas 18 ocorrências tiveram seus suspeitos presos.

O Nordeste lidera esta lista de casos, com 69, seguido por Sudeste, com 57; Norte e Sul, com 19, cada; e Centro-Oeste, 15. No caso específico do Rio de Janeiro, houve, no ano passado, 14 assassinatos de pessoas trans, o que coloca o estado como quinto no ranking desse tipo de crime no país (empatado com Pernambuco).

Em 2017, Minas Gerais foi o estado em que mais ocorreram esses casos, com 20, seguido pela Bahia, com 17; São Paulo e Ceará, 16, cada.

 

Divulgação / Claudio – BlogdoNog / Foto: Reuters