Antes de existir a Carretinha do Bem, já existia um homem que conhecia de perto o valor de estender a mão.
Edmar Marques Silva, o Boca Nervosa, nasceu em 1962, em Pradópolis, no interior de São Paulo. Filho de um ferroviário da antiga FEPASA e de uma dona de casa que criou 12 filhos, mudou-se ainda bebê para Olímpia, cidade onde cresceu, construiu suas raízes e aprendeu, desde muito cedo, que a vida se faz com trabalho, coragem e perseverança.
E trabalho nunca faltou.
Ainda jovem, Boca Nervosa foi engraxate, jardineiro e entregador de marmitas. Conheceu a rotina de quem precisa correr atrás todos os dias e, talvez por isso, nunca tenha perdido o olhar para quem enfrenta dificuldades.
A música e a política também sempre fizeram parte de sua vida. Gostava de acompanhar debates, comícios e conversas sobre os problemas da sociedade. Mas, para ele, falar nunca pareceu suficiente.

Era preciso fazer.
Foi desse pensamento que nasceu o Movimento Boca Nervosa e, dentro dessa caminhada, a Carretinha do Bem.
Mais do que transportar doações, o projeto chega onde muitas vezes a ajuda demora a chegar. Alimentos, roupas, cobertores, ração e apoio são levados diretamente para comunidades e famílias que vivem em situação de vulnerabilidade.
E os números ajudam a dimensionar o tamanho dessa caminhada: mais de 50 mil refeições distribuídas, cestas básicas entregues a famílias que precisavam de ajuda, cobertores e roupas para enfrentar o frio, ração destinada a animais abandonados e apoio a famílias durante um dos períodos mais difíceis dos últimos anos, a pandemia.
Mas talvez o número mais importante não caiba em uma planilha.
Está no prato de quem voltou a ter uma refeição. No cobertor que aqueceu alguém durante uma noite fria. Na família que recebeu uma cesta básica quando a despensa estava vazia. No animal que ganhou comida. Na pessoa que, em um momento difícil, encontrou alguém disposto a aparecer.
Porque solidariedade, no fim das contas, não é discurso

É presença.
A história de Boca Nervosa é feita dessas raízes populares, de trabalho e de uma escolha diária de transformar aquilo que acredita em atitude.
Da infância simples em Olímpia às ações que hoje alcançam pessoas em situação de vulnerabilidade, existe uma linha que nunca se rompeu: a vontade de fazer alguma coisa pelo outro.
E talvez seja justamente aí que esteja a força dessa história.
Não é sobre falar que é preciso ajudar.
É sobre colocar a mão na massa, colocar a Carretinha na rua e chegar até quem precisa.
Esse é o Movimento Boca Nervosa: palavras que saem do discurso e ganham estrada, levando alimento, cuidado, dignidade e esperança.

Para acompanhar esse trabalho, siga @bocanervosa no Instagram.
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