19/07/2019

Ator Milton Gonçalves lança biografia no Rio de Janeiro

Ator Milton Gonçalves lança biografia no Rio de JaneiroPublicado em 19 jul, 2019 - 18:16 por Rennan Leta

Um momento épico na literatura brasileira. Assim é definido o livro biográfico ‘Milton Gonçalves – Memórias históricas de uma ator afro-brasileiro’, de autoria de Elaine Pereira Rocha. A obra foi lançada na última quinta-feira (18) de forma intimista, no restaurante Alcaparra, no Flamengo (RJ). O projeto durou 12 anos, entre as primeiras conversas, as muitas horas de entrevistas e pesquisa intensa de documentação: “entregar este trabalho é celebrar o Milton. Historiador tem que ser muito objetivo. Mas a gente procurou trabalhar de uma forma acessível, para informar e documentar. Contar a história dele e o que estava acontecendo no Brasil naquele momento“, diz Elaine, que ainda frisa que o conteúdo vai além do personagem.

Consagrado na televisão, no teatro e no cinema, o processo do livro passa por um Milton muito além do ator e diretor. Segundo a autora, o resgate das raízes foi algo muito importante na construção: “o Milton é um ícone, referência de ator, diretor. Mas por trás disso tem uma trajetória política importante. Ele é um ator negro de sucesso. É uma pessoa que não apenas assistiu a história, mas participou dela. A história do homem negro que desmente a figura marginalizada. Os avós do Milton eram escravos, se casaram dois anos após a abolição. O avô materno dele morreu no cafezal. Toda essa superação é retratada. Ele tem um compromisso com as raízes, com as causas humanas que sempre defendeu“, afirma.

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Emoção e representatividade

A noite de autógrafos foi especial para Milton. O ator não conteve a emoção ao falar sobre a obra: “eu venho nessa profissão desde os 15 anos. Estou muito feliz por estar aqui com os amigos, minha família. Eu vou falar o quê? Só posso chorar de alegria. Estou muito feliz por ver que sou respeitado no Brasil“, declarou.

“Eu vou ficar feliz o dia que tiver um candidato negro à Presidência”

Milton Gonçalves

Além disso, o ícone da dramaturgia brasileira aproveitou para fazer um discurso sobre a situação do país. Para Milton, os negros do Brasil precisam de mais espaço: “nós, o povo negro, somos pelo menos 50% da população brasileira. Ao estarmos aqui, cumprimos uma missão de cultura. Quando eu falo de arte, eu digo que a arte não tem cor, mas precisa de cor. Nós precisamos mandar mais neste país. Não é só política. Temos pessoas inteligentes, cultas, para ser compositor, cantar, dançar, falar… precisamos ter mais participação em todos os lugares. Eu vou ficar feliz o dia que tiver um candidato negro à Presidência. Não é problema de mandar, é de ser cidadão, ser respeitado. Eu não quero ter medo, eu sou cidadão como qualquer outro. Quando você chega nos Estados Unidos e vê um presidente negro, com duas filhas negras, uma mulher negra, você fala ‘meu Deus, isso é o exercício dos direitos respeitados’. Não é para tomar o lugar de ninguém, pelo contrário, é para misturar com todo mundo. Negro, índio, branco, amarelo, azul… a gente tem que ser mais misturado“, enfatizou de forma emocionada.

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Artistas marcam presença

Personalidades como Ruth de Souza e Deo Garcez estiveram no evento. Deo fez questão de falar sobre a importância do momento: “o Milton sempre foi uma inspiração e referência para mim. Certamente, também para a nossa ancestralidade negra. Especialmente para nós, artistas negros brasileiros. Quando criança e adolescente, eu só o via na televisão, então é uma benção tê-lo como amigo e um ícone para todos nós. É um ator tão completo, tão versátil. Ninguém melhor que Milton Gonçalves para servir como referência“, finalizou.

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