A ação começa em Agra, na Índia, em 1648. Dois soldados imperiais de baixa patente montam guarda noturna diante de uma das mais impressionantes construções humanas, o Taj Mahal, suntuoso monumento de mármore branco que o imperador Shah Jahan mandou construir em memória de sua esposa favorita. Eles não podem vislumbrar a obra, que ainda não está terminada, sob risco de severa punição. É durante, portanto, o turno daquela noite que ao público se descortinam as trajetórias de Humayun e Babur, dois jovens amigos de caráter muito distinto. “E é essa diferença que permitirá o espectador notar importantes aspectos da condição humana”, atesta Rafael Primot, que adaptou e dirige (ao lado de João Fonseca) a peça Os Guardas do Taj.

Escrito pelo americano Rajiv Joseph, o espetáculo estreiou em São Paulo dia 13 de janeiro, no Teatro Raul Cortez. 

“O tema da peça é tão universal que independe do local onde é encenada”, atesta o ator Reynaldo Gianecchini, que vive Humayun, homem centrado em sua posição social e obediente às regras. “Eu o vejo como um soldado da Coreia do Norte de hoje, cego às determinações que lhe passam, mesmo que isso possa acabar com o mundo.”

Ao seu lado, Ricardo Tozzi interpreta Babur, o contestador, jovem inconformado que alguém trace seu destino. “Enquanto Humayun representa o lado racional do ser humano, Babur se destaca pelo lado emocional e, por isso, é tolhido”, conta Tozzi. “Mas eles se completam e, depois de um tempo, vão analisar se tomaram a decisão correta.”

De fato, o autor Rajiv Joseph dramatiza um mito sombrio sobre a construção do Taj Mahal, que, por sua vez, representa uma tenebrosa alegoria sobre a divisão suprema entre poderosos e homens impotentes, que ainda hoje marca diversos povos. “Rajiv construiu seu texto a partir da lenda de que o imperador ordenou que os mais de 20 mil homens que construíram o Taj deveriam ter suas mãos cortadas para que nunca mais criassem algo tão exuberante”, conta Primot que, antes de se decidir por Os Guardas do Taj, estudava montar uma peça sobre pedofilia. “Mas a trama de Rajiv se impôs porque ele explora de maneira brilhante e de forma inteligente uma série de ideias filosóficas.”

OS GUARDAS DO TAJ

QUANDO sex. e sáb., às 21h, dom., 18h; até 25/3

ONDE Teatro Raul Cortez, r. Dr. Plínio Barreto 28, tel. (11) 3254-1631

QUANTO R$ 60 a R$ 80

CLASSIFICAÇÃO 12 anos

TZ assessoria | PR