Na noite do último dia 14 a plateia do Teatro Gamaro foi composta por moradores de rua, voluntários e responsáveis pelo projeto Arsenal da Esperança, uma casa que acolhe moradores de rua e foi tem do Show Viva de 2016. Eles foram os convidados para assistir a pré-estreia de “Immaculée – Ela sobreviveu para contar’, um musical de Ziza Fernandes e alunos da Oficina Viva, que conta a história de uma mulher que sobreviveu ao genocídio de Ruanda graças a sua determinação, coragem e fé. No dia seguinte, 15, cerda de 1.500 pessoas passaram pelo teatro para conferir as únicas três sessões na capital paulista. Rio de Janeiro e São José dos campos receberão o espetáculo respectivamente nos dias 20 de novembro e 03 de dezembro.

Cenário, figurinos, caracterizações e a trilha sonora transportaram a Ruanda de Immaculée para os palcos paulistas. Na equipe, juntos dos profissionais e atores envolvidos estava um jovem de 21 anos, acolhido pelo projeto Arsenal após se mudar da Zâmbia, na África, para o Brasil. O Tamba foi convidado pela direção do espetáculo para ajudar na produção das apresentações paulistas. O rapaz, que hoje trabalha na USP dando aulas de inglês, diz que apesar de não ter vivido o massacre em Ruanda, todos na África têm uma memória presente do impacto que aquilo gerou no continente. “Muitas pessoas precisam só ouvir alguém sussurrar que ainda existe esperança”, disse o jovem.

Essa representação de história, luta e coragem seguirá ainda em turnê por mais duas cidades. Rio de Janeiro e São José dos Campos estão na rota do musical “Immaculée”. Dia 20 de novembro, o espetáculo desembarca na capital fluminense para duas sessões no Teatro Bangú Shopping (17h 30 e 20h). No dia 03 de dezembro o Teatro Colinas, em São José dos Campos, será palco das três últimas apresentações do musical: 16h, 18h e às 20h, cujos ingressos estão quase esgotados.

Sobre o musical:

A história de como essa mulher escapou do massacre, e de como foi capaz de transformar essa experiência em uma mensagem de esperança, força e perdão está no centro da estória que a Oficina Viva conta junto de um repertório que compreende clássicos da MPB, música africana e americana. A inspiração vem do livro “Sobrevivi para Contar”, de Immaculée Ilibaziga e Steve Erwin no qual ela conta em detalhes os momentos de medo, dificuldade e angústia vividos pela personagem. “Há anos esse livro faz parte das leituras de quem participa das Oficinas. Acabou sendo uma escolha natural em um momento em que revivemos outro massacre na Síria e vemos, mesmo entre nós, o ódio crescer por discordâncias políticas ou opiniões”, explica Ziza Fernandes que, pelo quinto ano, assina a criação e direção geral do musical que tem direção musical de Janaine Pavani. 

Paulo Abreu /  Oficina Viva