Monique Elias, 36 anos, diz que está fazendo aulas de samba todos os dias e que o maior desafio é soltar o quadril e ficar desinibida.

A digital e mãe de três filhos, Monique Elias, de 36 anos, vai se arriscar pela primeira vez a ser musa de uma escola de samba no carnaval carioca, a Imperatriz Leopoldinense. Para fazer bonito na Sapucaí, Monique contou ao G1 que está fazendo aulas de samba todos os dias há um mês.

“Meu maior desafio é soltar o quadril e ficar mais desinibida”, disse a musa.

Com a responsabilidade de representar a escola, Monique diz estar se dedicando e não gosta de faltar a ensaios. A musa contou ainda que quer fazer uma surpresa para o marido na Sapucaí e que acredita que a sua fantasia será a mais luxuosa do desfile, mesmo sem revelar o preço de quanto custou.

1) Qual foi seu caminho até se tornar uma musa no carnaval?

Eu não tinha desfilado antes, só no sábado das campeãs com camisa da Beija-Flor. Mas já tem muitos anos. Eu sou apaixonada pelo samba e sempre quis desfilar, mas meu marido era muito resistente a isso. No ano passado, eu falei o ano inteiro: ‘eu vou desfilar’. Eu conheci uma amiga que é do samba e ela falou ‘eu posso dar um jeito de você desfilar’. Ela ia me apresentar pra umas três escolas e, quando ela chegou aqui na Imperatriz, eu me apaixonei.

2) Como está sendo o seu preparo para encarar esta responsabilidade de ser musa?

Eu mudei toda a minha cabeça. Eu achava que tinha que fazer uma dieta restrita, mas, ao contrário, eu estou comendo o dobro, porque percebi que, com a dieta, eu não estava com disposição. Eu estou comendo bem, como arroz e feijão mesmo. Eu não falto aos ensaios da escola, estou percebendo que é na quadra que a gente pega o pique, e estou tendo aulas de samba todos os dias. Já tem um mês. Também tenho feito musculação três vezes por semana só porque eu não quero passar desse tipo de atividade, acho que o corpo fica duro pra dançar e eu quero ter leveza.

3) Qual está sendo o seu maior desafio?

Eu sempre fui muito dura pra dançar. Não sabia sambar. O maior desafio está sendo soltar o quadril e ficar mais desinibida. Eu sou um pouco tímida pra sensualizar, pra incorporar. No caso, eu represento a deusa Vênus. Tenho procurado estudar um pouco a história dela. Pra mim, eu sou advogada, estou acostumada a falar em público, mas é muito diferente, porque você fala em público com uma certa formalidade, uma roupa mais tampada. Aos poucos, eu vou tentando adaptar as minhas roupas. É muito difícil pra mim fazer a desinibida, rebolar, sensualizar e chamar as pessoas. É um desafio, mas é muito amor também. Todas as vezes que eu penso na possibilidade de entrar na avenida eu fico um pouco emocionada.

4) O que você faz fora do carnaval?

Eu faço um milhão de coisas. Cuido da minha casa, dos meus filhos. Tenho um casal de gêmeos de três anos e um filho de 15 anos. Ainda fui me aventurar a ser youtuber. Tenho um canal que se chama “No pique da Nique”. Tenho uma agenda muito louca.

5) O seu canal é sobre o que?

Eu falo que eu quero falar. Eu sou eu ali. Eu me dou a liberdade de criar uma pauta, mas é tudo no improviso.

6) Você herdou o gosto pelo carnaval de alguém?

Eu nasci em Nilópolis e meu pai frequentava muito a quadra da Beija-Flor e eu ia muito com ele. Estava sempre na quadra da Beija-Flor. Eu amo escola de samba, sou apaixonada.

7) Você tem medo de passar algum perrengue na avenida?

Tenho. Eu imagino que tudo vai ser um desafio. Tenho medo de não me alimentar direito no dia por perder a fome e desmaiar, tenho medo de quebrar o pé. Eu tenho medo de tantas coisas, mas, ao mesmo tempo, eu me sinto tão desafiada que eu vou entrar com a cara e com a coragem, não importa o tempo, a chuva, vou entrar igual.

8) Nesse tempo que você está frequentando a escola, tem alguém que você admire o trabalho?

Cahê Rodrigues [carnavalesco] e o seu Luizinho Drummond [presidente da Imperatriz]. O Cahê é um grande amigo, hoje nós somos amicíssimos. E o seu Luizinho pela humildade, pela transparência, pela forma como ele se coloca equânime diante das pessoas, o quanto ele se doa para a escola

9) Esse é o seu primeiro contato vivendo todas as fases do carnaval, desde os ensaios até o dia do desfile. Como está a sua expectativa?

Medo de fazer feio, porque o sambista tem seu valor. Não pra você se equiparar a alguém que nasceu lá com a bateria desde criança, mas eu acho que também ter a sua identidade própria é muito importante. Eu quero ser eu na avenida, quero dar o meu melhor, fazer bonito, mas estou indo com os pés no chão, sabendo que aconteça o que acontecer na avenida eu dei o meu melhor e eu fui eu. Ali vai ser a Monique tentando ser a deusa Vênus.

10) Você já acompanhava os desfiles indo à Sapucaí?

Indo aos ensaios. Na Sapucaí eu fico nos camarotes, eu vou também, fico louca! Dá ultima vez eu fiquei tão louca que fiz até uma live no Facebook.

Divulgação  Foto: Marcos Serra Lima / G1