Os três cantores apresentaram canções, criticaram a homofobia e ainda fizeram um protesto político.

A apresentação de Johnny Hooker, Liniker e Almério pode ser analisada de várias formas. Uma delas, pela relevância musical, que é bastante evidente. No entanto, é bem pouco provável que tanto os artistas quanto a organização do Rock in Rio tivessem apenas essa intenção ao escalar os três para o show conjunto realizado no Palco Sunset neste domingo (17). Tão importante quanto as canções que apresentaram, pareceu ser o discurso de tolerância e repúdio à homofobia que defenderam durante o espetáculo.

Hooker abriu a apresentação e funcionou como elemento de união entre os outros dois artistas. Com o público nas mãos desde o início, ele executou “Touro” e “Alma sebosa” com o transbordamento sentimental que costuma marcar suas canções.

A plateia, como era de se esperar, se entregou às letras que falam, em boa parte das ocasiões, de perdas amorosas e superação de sofrimentos causados por paixões mal terminadas – tudo embalado por uma sonoridade meio roqueira, meio pop, meio canções populares do norte/nordeste do Brasil.

Logo em seguida, foi a vez de Liniker subir ao palco. Logo de cara, ,ele fez um dueto com Hooker em “Louise du Brésil”. Em seguida, apresentou “Zero” e, mais uma vez acompanhado por Hooker, defendeu “Flutua”.

Neste momento, o show ganhou contornos políticos. Quase ao fim da composição, claramente direcionada ao combate à homofobia, a frase “Amor sem temer” apareceu ao fundo do palco, provocando o inevitável duplo sentido e a alusão ao sobrenome do presidente da República. Gritos de “Fora, Temer!” foram ouvidos nesse momento.

Hooker voltou a dominar o Sunset com “Você ainda pensa?” antes de entregar o palco a Almério. Com um trabalho de tintas regionais bem mais carregadas, o cantor e compositor pernambucano entoou uma versão de “Respeita Januário” clássico de Luiz Gonzaga.

Ao fim, os três se juntaram para cantar “Não recomendado”, de Caio Prado, e “Escandalizar”, do próprio Hooker, canção que, por alguns minutos, fez o Rock in Rio ganhar ares de Carnaval recifense.

Ao ver os três artistas no palco, é impossível não pensar no quanto o trabalho de Ney Matogrosso ainda ecoa de forma decisiva no trabalho da geração mais jovem da Música Popular Brasileira.

Fábio Tito / G1