26/06/2018

Argentina vence a Nigéria e enfrenta a França nas oitavas da Copa

Argentina vence a Nigéria e enfrenta a França nas oitavas da Copa

Rojo foi o herói da classificação da Argentina com um gol aos 41 minutos do segundo tempo

Maradona foi uma espécie de termômetro do comportamento do torcedor na Arena São Petersburgo. Cada gesto, expressão, palavras e palavrões proferidos refletiam o drama vivido pela Argentina na Copa do Mundo. A vitória de 2 a 1, de virada, nesta terça, sobre a ‘eterna’ freguesa Nigéria levou os jogadores, Maradona e todo o povo argentino às lagrimas pela sofrida classificação. A França é o adversário nas oitavas de final, sábado, em Kazan. Líder do Grupo A, com 100% de aproveitamento, a Croácia enfrentará a Dinamarca, domingo, em Níjni Novgorod.
O racha com o técnico Jorge Sampaoli, aparentemente, foi deixado de lado. A falta de uma estratégia bem elaborada de jogo foi compensada com a velha entrega e característica garra argentina. A volta de medalhões como Dí Maria e Higuaín não diminuiu a dependência de Messi, que voltou a ser Messi: na arrancada, no domínio e no indefensável chute de pé direito para abrir o placar, aos 14 minutos. Isolado, Sampaoli comemorou sozinho à beira do gramado, enquanto todos no banco se abraçavam. No camarote, Maradona, em êxtase, agradecia a Deus.
O resultado eliminava a Nigéria, que se viu obrigada a mudar a postura para reagir. Pressionados, os hermanos mantiveram o ritmo alucinante, sem qualquer chance de reação. Mais solto após o primeiro gol no Mundial, Messi deixou Higuaín cara a cara com Uzoho, e quase saiu o segundo gol. De falta, ele, novamente, quase ampliou a vantagem. Após o sutil desvio de Uzoho a bola explodiu na trave.

Melhor, a Argentina administrava o resultado. O jogo perdeu tanto em intensidade que Maradona chegou a cochilar no camarote pouco antes do intervalo. O discurso do capitão Messi para os demais companheiros, no túnel de acesso ao gramado, aumentou a expectativa para a volta do segundo tempo. O gol de Moses, de pênalti, aos cinco minutos, porém, foi um duro gol, sentido não apenas em São Peterburgo, mas como em todo o país. Mascherano, também agarrado, recebeu cartão amarelo pelo puxão em Balogun.

Maradona foi ao desespero, assim como toda a equipe. A Argentina foi só coração. E zero organização. Na base da garra, correu atrás do prejuízo. O rosto sujo de sangue de Mascherano foi o retrato da seleção. Maradona acreditava. Foi preciso segurá-lo para não cair do camarote. Com espaço para contra-atacar, a Nigéria perdeu a chance de fazer história e confirmar, sem susto, a classificação.

A falta de pontaria custou um alto preço. Aos 41 minutos, Rojo emendou o chute de primeira após o cruzamento de mercado: 2 a 1. O gol da classificação levou à torcida ao delírio. E Maradona exagerou, chegando a fazer gestos obscenos em meio à comemoração. O apito final do árbitro turco Cuneyt Cakir tirou o peso de todo um país das costas de 23 jogadores, apesar do visível afastamento do técnico Jorge Sampaoli, que celebrou sozinho a vaga no vestiário.

FICHA TÉCNICA

ARGENTINA 2 x 1 NIGÉRIA

ARGENTINA – Armani; Mercado, Otamendi, Rojo e Tagliafico (Agüero); Pérez (Pavón), Mascherano, Banega e Di María (Meza); Messi e Higuaín. Técnico: Jorge Sampaoli.

NIGÉRIA – Uzoho; Balogun, Ekong e Omeruo (Iwobi); Moses, Etebo; Mikel, Ndidi e Idowu; Musa (Nwabnkwo) e Iheanacho (Ighalo). Técnico: Gernot Rohr.

GOLS – Messi, aos 13 minutos do primeiro tempo. Moses (pênalti), aos 5, e Rojo, aos 41 minutos do segundo tempo.

CARTÕES AMARELOS – Balogun, Mascherano, Banega, Mikel, Messi.

ÁRBITRO – Çakir Cuneyt (Turquia).

PÚBLICO – 64.468 pagantes.

LOCAL – Estádio de São Petersburgo, em Moscou.