Perder um parente em um acidente aéreo é sem dúvida uma experiência horrível e muito traumatizante. Uma forma violenta a agressiva de perder um ente querido, que deixa a pessoa bastante fragilizada e vulnerável. Infelizmente há profissionais do Direito que se aproveitam deste momento para tentar ganhar dinheiro com a situação.

A Apple está sendo processada como possível responsável da queda de um avião em 2016, com argumentos tão desesperados que nem sequer esperam o final das investigações oficiais.

 

Em 2016, o voo EgyptAir 804 partiu de Paris em direção à cidade do Cairo, no dia 19 de maio de 2016. Porém, naquele dia ele não chegou ao seu destino final, caindo no mar Mediterrâneo e matando as 66 pessoas que estavam a bordo.

As investigações até hoje não foram encerradas e não há uma conclusão da causa da queda. Em nenhum momento os pilotos transmitiram qualquer chamada de perigo, mas os equipamentos internos detectaram possível fumaça em dois pontos diferentes da aeronave. As investigações admitem que isto pode ter sido causado pela condensação de vapor (água) caso a cabine tenha sofrido uma despressurização repentina.

Há duas equipes de investigação no caso, uma francesa e outra egípcia. A francesa diz ter visto nas câmeras de vigilância do aeroporto Charles de Gaulle (local de partida) que havia um iPhone 6s de um copiloto sobre o console da cabine. Então, seguindo a linha do Inspetor Clouseau, já partiram do pressuposto que o iPhone foi o provável causador do acidente, pois teria super-aquecido e explodido.

Já a equipe egípcia discorda desta hipótese, pois não acredita que o iPhone teria sido a causa primária do acidente. De acordo com os investigadores do Egito, houve uma explosão real no avião e restos de explosivos foram encontrados. A hipótese de um ataque terrorista não foi descartada.

Vamos entender o contexto no momento em que a equipe francesa divulgou a sua opinião: foi no primeiro semestre de 2017, época em que muito se falava das diversas explosões do Galaxy Note 7, que chegou até a ser banido de voos comerciais. Então, para a lógica do Inspetor Clouseau, foi uma questão de matemática:

“Telefones explodem” + “iPhone 6s na cabine” = “iPhone causou o acidente”

O fato é que não há indício algum que o iPhone tenha tido qualquer participação nas causas do acidente, além da informação dele estar apoiado no console antes do avião decolar. Especialistas em segurança aérea concordam em acreditar que é muito provável que o iPhone 6s e o iPad mini não tenham permanecido ali durante o voo, pois os pilotos sabem que qualquer objeto apoiado naquele local pode cair sobre eles no momento da decolagem.

Mesmo assim, um grupo de advogados se aproveitou da fragilidade dos parentes das vítimas para conseguir que eles entrassem na justiça contra a Apple, acusando-a de responsável pelo acidente. Mesmo com as investigações oficiais ainda em andamento.

Claro que as causas precisam ser apuradas e todas as hipóteses devem ser consideradas (inclusive a do iPhone ter sido o possível causador). Porém, já tentar processar a Apple por algo que não há evidências e com as investigações ainda não concluídas é se aproveitar de um momento de dor para ganhar dinheiro. O que estes advogados estão fazendo é desumano e desrespeitoso, pois estão usando as famílias das vítimas para conseguir projeção e possível recompensa financeira, pois seja ganhando ou perdendo a causa, eles serão remunerados. E a probabilidade é que percam enquanto não existirem evidências nas investigações.

Triste.

 

Creditos: blogdoiphone.